"Sintomas do cancro da cabeça e pescoço são facilmente desvalorizados", alerta médica

Todos os anos surgem cerca de 3.000 novos casos de Cancro da Cabeça e do Pescoço em Portugal. Apesar da sua gravidade, ainda existe pouca consciência acerca deste tipo de tumor que afeta cada vez mais jovens. Falámos com a médica Ana Castro, especialista em Oncologia e presidente do Grupo de Estudos de Cancro da Cabeça e Pescoço (GECCP).
A maioria dos casos de Cancro de Cabeça e Pescoço estão relacionados com algum comportamento de risco?

O cancro de cabeça e de pescoço está relacionado com o consumo de álcool e tabaco, bem como com maus cuidados de higiene oral. Mas não só.

Que outros comportamentos podem levar a este tipo de cancro?

A infeção por Papilomavírus Humano (HPV) está também relacionada com os carcinomas da cavidade oral e orofaringe, sobretudo em doentes mais jovens e sem outros fatores de risco.

Porque é que há cada vez mais jovens (que não fumam nem bebem) a ter este tipo de cancro?

Precisamente por causa da infeção por HPV.

Quais são os sintomas mais comuns desta doença?

Os sintomas do cancro da cabeça e pescoço são facilmente desvalorizados. Podem surgir sintomas como dor de garganta, alterações da audição e nariz entupido apenas de um lado, feridas na boca e aftas que não cicatrizam ao fim de três semanas, rouquidão.

Existe algum sintoma descurado pela maioria dos doentes e que é um importante sinal de alerta?

As feridas na boca, sobretudo em doentes mais idosos com próteses mal adaptadas, devem ser um sinal de alerta que deve motivar a ida ao médico.

Como se previne este tipo de cancro?

Mantendo uma boa higiene oral, não fumando e não bebendo bebidas alcoólicas em excesso. A vacina do HPV antes de iniciar a vida sexual também é uma boa forma de prevenir a doença.

Qual é a taxa de sobrevivência em Portugal?

A taxa de sobrevivência está relacionada com o estádio e com o diagnóstico e, infelizmente, em Portugal ainda diagnosticamos este tipo de cancro em estádios muito avançados.

Logo a taxa de sobrevivência aos cinco anos é de apenas 20% quando em estádios precoces a mesma sobe para 80 a 90%.

Publicado por: Saúde