Como ajudar alguém com pensamentos suicidas?

Os recentes suicídios de figuras mediáticas como o chef Anthony Bourdain e a estilista Kate Spade, na mesma semana inclusive, trouxeram à tona uma temática com preocupações crescentes no mundo ocidental. Numa sociedade cada vez mais frenética, como perceber ou ajudar quem tenha este tipo de pensamentos? A Linha Nacional de Prevenção do Suicídio dos EUA criou um guia que ajuda a identificar alguns sinais e a agir em conformidade.
Os recentes suicídios de figuras mediáticas como o chef Anthony Bourdain e a estilista Kate Spade, na mesma semana inclusive, trouxeram à tona uma temática com preocupações crescentes no mundo ocidental. Numa sociedade cada vez mais frenética, como perceber ou ajudar quem tenha este tipo de pensamentos? A Linha Nacional de Prevenção do Suicídio dos EUA criou um guia que ajuda a identificar alguns sinais e a agir em conformidade.

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Muitas são as pessoas que morrem diariamente por ter cometido suicídio, vítimas de doenças mentais não tratadas ou não acompanhadas devidamente por um médico. A saúde mental e o suicídio não têm impacto apenas na pessoa mentalmente perturbada, mas sim em todos os que o rodeiam e que fazem parte da sua vida, como a família, os amigos e os colegas de trabalho.

 

Recentemente, o suicídio de Anthony Bourdain ocorrido dias depois de o mesmo ato ter sido cometido pela estilista Kate Spade, ambos figuras mediáticas nos EUA, recuperou um tema crescente e preocupante da sociedade atual. Nessa mesma semana, um estudo indicava que o suicídio tem crescido exponencialmente nos EUA, nomeadamente 25% nas últimas duas décadas. Por lá, o suicídio constitui já a 10ª maior causa de morte.

 

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Em Portugal, segundo informações da Organização Mundial de Saúde (OMS), a taxa média de suicídios está acima da média global, nomeadamente 13,7 por cem mil habitantes, face a uma taxa mundial de 10,7.

 

Ainda segundo a OMS, suicidam-se diariamente em todo o mundo cerca de 3000 pessoas, uma a cada 40 segundos.  E por cada pessoa que se suicida, 20 ou mais cometem tentativas de suicídio. O número anual de suicídios representa cerca de metade de todas as mortes violentas registadas no mundo, estimando-se que, em 2020, esse número atinja 1,5 milhões, revela a OMS.

 

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Este ato de desespero está comumente associado a depressões, alcoolismo, desordens bipolares, esquizofrenia e ansiedade extrema. Estima-se que cada tentativa de por termo à vida afeta pelo menos seis pessoas circundantes e, portanto, milhões sofrem com este problema todos os anos.

 

Contudo, nem sempre é fácil ajudar as pessoas que estão desesperadas e que querem por termo à vida. Nesse sentido, a Linha Nacional de Prevenção ao Suicídio dos EUA apresenta um guia onde dá cinco dicas para ajudar quem se defronta com esta situação. Veja na página seguinte.


1 – Não ter receio de perguntar

Em primeiro lugar, não deve ter receio de perguntar se a pessoa está bem e se tem pensado na morte como resolução dos problemas. Um dos mitos mais comuns relativos ao tema afirma que falar ou perguntar se o indivíduo em questão tem tendências suicidas põe essa ideia na  sua cabeça, aumentando assim a probabilidade de esse individuo tentar cometer suicídio.

 

Alguns estudos já realizados sobre a matéria concluíram precisamente o oposto – perguntar se essa pessoa está bem e se tem pensamentos suicidas pode diminuir a probabilidade de vir a concretizar o ato. Para além disso, proporciona uma boa oportunidade de começar uma conversa e identificar a melhor forma de ajudar a combater os pensamentos negativos.

 

2 – Mantenha a pessoa por perto e faça-a sentir-se segura

De seguida, se acha que alguém está com pensamentos de se magoar, propositadamente, a si próprio, tome uma medida imediata. Se não sabe como ajudar, em Portugal, contacte o 112 ou uma linha nacional de prevenção do suicídio (veja a lista no site da Sociedade Portuguesa de Suicidologia).

 

É ainda importante garantir que a pessoa não tem facilidade de acesso a objetos que a possam magoar (armas de fogo ou grandes quantidades de comprimidos, por exemplo).

 

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3 – Esteja lá para a apoiar

O apoio social está correlacionado com a diminuição de pensamentos suicidas. Tente fazer uma abordagem com compaixão, empatia e curiosidade. Diga-lhe que está a ouvir sem julgar e que quer estar presente para o apoiar, até porque o isolamento pode contribuir para a manifestação de outras doenças mentais e aumentar os pensamentos negativos.

 

4 – Ajude essa pessoa a pedir ajuda

O suicídio é evitável. Há várias formas e recursos que promovem o suporte e tratamento que essas pessoas precisam. Se perceber que existe alguém em risco eminente, leve-a de imediato ao hospital. Se não se encontrar perto dessa pessoa, tente encorajá-la a deslocar-se a uma unidade hospitalar ou ligar para uma linha especifica para esse efeito. A depressão e outras desordens mentais são passíveis de serem tratadas com medicação e sessões de psiquiatria e psicologia.

 

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5 – Acompanhe-a

Mantenha-se a par e em contacto regular com o individuo, continuando a apoiá-lo sem julgamentos. Deixe-o sentir que está disposto a falar e ouvir. Pode ser difícil e, ao mesmo tempo, avassalador dar apoio a alguém que enfrenta problemas de saúde mental e pensamentos suicidas. Perceber a doença mental que têm pode ser muito útil para os ajudar. Tente encontrar informação junto de fontes fidedignas.

 

Mas não se esqueça, o processo é tão traumatizante para quem tem a doença, como para os que estão por perto a tentar ajudar, movendo forças e fundos na tentativa de ajudar um amigo, familiar ou colega. É, nesse sentido, aconselha-se também a que a pessoa não descure de si. Procure apoio especializado de forma a que o seu esforço seja eficaz e não o afete em demasia.

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Publicado por: Mood